CBDP: O que é e quais os seus efeitos?
Dando seguimento ao nosso artigo sobre o 10-OH-HHC, continuamos a nossa exploração dos análogos do CBD com o CBDP.
O CBDP, cujo nome completo é "canabidiforol", foi descoberto há pouco tempo, ao mesmo tempo que a sua versão tetrahidro canabinóide: o THCP (ou tetrahidrocanabiforol para os entendidos).
Para aqueles que talvez não tenham acompanhado a história da descoberta destas moléculas, aqui fica um breve resumo antes de apresentarmos os efeitos e as pesquisas preliminares sobre o CBD-P.
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O que é o CBDP?
Embora o CBDV, o THCV e o H2CBD já fossem conhecidos desde meados do século XX, a descoberta do CBDP e do THCP data apenas de 2019. Isto deve-se à sua muito baixa presença na natureza (menos de 1%).
Esta descoberta deve-se a uma equipa de investigadores italianos que trabalha na Universidade de Modena, liderada pelo professor Giuseppe Cannazza.
Tal como o THCP, o CBDP apresenta poucas diferenças em relação ao seu homólogo. Na verdade, a única diferença reside na sua cadeia lateral. Esta cadeia contém 7 hidrocarbonetos no CBDP, enquanto o CBD apenas possui 5. É devido a esta diferença em relação ao CBD que o CBDP é também conhecido por CBD-C7, C7-CBD ou CBD-heptil.
Mais do que apenas uma variação no nome, esta cadeia de hidrocarbonetos mais longa resulta também numa diferença na interacção desta molécula com o sistema endocanabinóide, o que se traduz obviamente em efeitos diferentes.
Quais os efeitos do CBDP?
Vamos falar sobre os potenciais efeitos do CBDP, mas, como sempre, é importante lembrar que sabemos muito pouco sobre a molécula e que os efeitos que iremos discutir são baseados em relatos de utilizadores ou em pesquisas preliminares. Portanto, não há certeza clínica que sustente os efeitos listados abaixo.
Posto isto, o CBDP parece apresentar algumas diferenças em comparação com o CBD. Em primeiro lugar, o CBDP aparentemente não produz efeitos psicotrópicos ou eufóricos, mas parece ser capaz de produzir efeitos psicoativos mais pronunciados do que o CBD, que se traduzem em:
- Maior potencial antioxidante e analgésico
- Propriedades ansiolíticas e antidepressivas mais pronunciadas
- Uma maior sensação de fome
Ao que tudo indica, o CBDP apresenta também uma interação mais prolongada com outros canabinoides, resultando em efeitos entourage mais fortes.

CBDP: Estudos Preliminares
Tal como o CBD, o CBDV e todos os outros canabinóides da família CBD, o CBDP não tem efeitos psicotrópicos e, atualmente, não parece causar efeitos secundários indesejáveis específicos (exceto em casos de intolerância), nem efeitos que levem à dependência ou ao hábito. Esta diferença em relação à maioria das moléculas de THC torna as moléculas de CBD excelentes candidatas para a investigação clínica.
Atualmente, parece existir apenas um estudo que tenha tentado analisar especificamente o comportamento e a eficácia do CBDP. Este estudo teve como objetivo explorar o potencial do CBDP no tratamento do cancro da mama.
De facto, nos últimos anos, um estudo realizado em 2019 demonstrou que os fitocanabinóides (CBD, THC, TCBA e CBDA, bem como CBN) mostraram atividade anticancerígena seletiva contra vários tipos de cancro (nomeadamente em três diferentes linhas celulares de cancro do pulmão e de cancro da mama). (1)
Além disso, outros dois estudos conseguiram também comprovar que estes canabinóides potenciam os efeitos dos tratamentos de quimioterapia, particularmente no tratamento de tumores resistentes à terapêutica. (2)
O estudo que nos interessa conseguiu provar que a cadeia de carbono mais longa do CBDP, que discutimos, multiplicou os efeitos da molécula no contexto do tratamento do cancro da mama. (3)
No entanto, estes supostos efeitos não deixam de ser apenas conjecturas. Embora tenham sido observados em diversos estudos, não foi realizada qualquer aplicação prática.
Produção e legalidade
O CBDP ocorre naturalmente no cânhamo, mas em quantidades insuficientes para ser comercializado na sua forma pura. O CBDP que encontra à venda é sintetizado em laboratório. Portanto, é uma molécula semi-sintética.
O CBDP é obtido por isomerização do destilado de CBD. Em termos simples, isto envolve o rearranjo dos átomos dentro da molécula de CBD para obter o CBDP. Este processo é conhecido há mais de dois séculos e é comummente utilizado em diversas indústrias, como a alimentar e as bebidas. É notavelmente através deste princípio que obtemos os infames ácidos gordos trans e o xarope de glucose-frutose, um ingrediente presente numa infinidade de produtos do dia-a-dia.
Relativamente à legalidade da molécula, em França,o CBDP é completamente legal desde que contenha menos de 0,3% de THC. O mesmo se aplica à maioria dos países da União Europeia.
A nossa conclusão sobre o CBDP
Pelo que observámos, o CBDP poderá ser incluído na composição de vários produtos no futuro.
No entanto, e tal como acontece com todos os outros canabinóides conhecidos até à data, muitos estudos ainda precisam de ser realizados, particularmente no que diz respeito aos seus efeitos a médio e longo prazo, às diferentes vias de administração, às diferentes dosagens, bem como à ausência total de efeitos nocivos e efeitos secundários, a fim de se ter a certeza do potencial terapêutico do composto.
Até lá, continue a acompanhar o blog da CBDOO para ficar a par de todas as novidades sobre CBD!
Fontes
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